Tudo o que há no mundo, tudo o que somos, não passa de sombras! Somos apenas sonhos do Superno. Cada vez que o único sonha de seus sonhos surgem mundos diversos, povos diversos e muitas outras coisas maravilhosas e inimagináveis. Eis a gênese dos Deuses.
Certa feita o Superno sonhou um povo perfeito: Terrível e belo, poderoso e sábio. Sua terra chamavam de Avernion, esta terra era a mais bela jamias sonhada pelo Supremo, e nem mesmo os Jardins de Ecraniavia poderiam comparar-se a ela. Este povo diferente de todos os demais com os quais sonhara o Onipotente, entendeu o que eram e desejaram prolongar sua existência. Mas como fazê-lo?
Unindo-se em conselho conheceram que não havia meios de existirem independentes do Superno eram seus sonhos e quando Ele acordasse dissipar-se-iam para sempre no Éter. MAs então, quando já a assembléia se retirava derrotada, o que de todos eles era mais sagaz pediu a palavra:
"Ora, notai vós, isto: que pode fazer o Superno enquanto dorme? Não somos nós que mantemos o domínio e todo o poder enquanto Ele dorme? E por que então não fazemos que assim, no sono, Ele permaneça para sempre? O sonhos só se desfazem quando acordamos... cuidemos pois que ele não acorde de nós!"
Assim pensando, urdiram o plano, que quebrou a harmonia das coisas, pois deu ao sonho a permanência e fez-nos então partícipes deste vale de lágrimas que é o mundo dos homens e dos deuses. Escolheram duas jovens e cada um lhas deu parte de seu poder. E elas se foram ao mais interior da consciência do Supremo e ali desde então permanecem, cantando, uma durante o dia e a outra a noite, e seu canto embala o sono do Superno e não o deixa acordar.
Este povo, estes sonhos do Superno, que o mantém adormecido, os homens o conhecem como Deuses, pois estes os criaram e também o mundo em que habitam. Mas antes de criarem o homem lutaram entre si os povos do Avernion e antes que aprendessem a criar vida, aprenderam a ministrar a morte.