Entre os averniões havia dois gêmeos, nascidos ainda no primeiro alvorecer de seu mundo. Cresceram fortes e poderosos e cheios de sabedoria, a tal ponto que todos os outros resolveram-se curvar-se aos dois e fazê-los seus reis. Este poder sobre os demais habitantes do Avernion, acabou por demonstrar diferenças entre os dois. Enquanto um tornou-se desejoso de aumentar mais e mais o seu poder e estender seu domínio por todas as partes, o outro desejava apenas cuidar de seu povo e fazê-lo próspero e feliz, o que para tanto, dizia, não era necessário alongarem-se em, fadigas, mas tão somente cuidar para que o Superno não despertasse.
Tais posturas foram a cada dia tornando-se mais e mais conflitantes até que os dois decidiram separar-se. Alstium chamou a Ratiaz seu irmão e lhe falou nesses termos: "Sabei, meu irmão, que eu o amo de todo o meu coração e por minha vida, não quero que haja entre mim e ti inimizade alguma. Eis que nossos desejos cresceram tanto quanto nosso poder e tomaram caminhos diferentes. Peço-te pois que, assim como eles também nós nos apartemos... Eis que toda a Avernion bem-aventurada está diante de ti: Escolhe um lado para ires que eu mesmo seguirei para o outro. Que aqueles de nosso povo que quiserem ir convosco, que tu os possa conduzir e dar-lhes o que acreditam poder conseguir convosco." Ao ouvir essa palavra de seu irmão Ratiaz o abraçou e o beijou dizendo: "É boa essa palavra, meu irmão. Que assim seja, que haja agora dois povos onde antes havia apenas um. E quero que saiba que mesmo que habitemos separados um em cada confim do Avernion, ainda assim serás meu amado irmão e estarei sempre pronto a te ouvir os conselhos e a prestar-lhe ajuda."
Então tomou Ratiaz de todo aquele que dentre o povo resolveu segui-lo e se foi para longe de seu irmão e do povo que escolheu ficar. Ora, Ratiaz e seu povo encravaram, seu reino no extremo oeste de Avernion, na ponta do vazio e ali sonharam com poder e glória. Aprenderam a manipular os elementos e ao fim de uma Era criaram suspensas sobre o vazio os quatro orbes que conhecemos como as quatro luas. Eram mundos vastos, porem vazios, incapazes de sustentar a vida, no entanto para Ratiaz e seus seguidores eram seus maiores feitos, algo que Alstium e seu povo não tinham nada a igualar, e guardaram nelas parte de seu poder, fazendo-as brilhar, tão intensamente que no meio do Avernion, Alstium e os seus viram o brilho que delas emanava.
Este primeiro sucesso animou Ratiaz, que principiou aí a fazer grandes e poderosas obras. No entanto, como havia se fixado na extremidade da terra, com o tempo suas grandes obras, as fundações de suas poderosas fortaleza começou a tirar o equilíbrio do Avernion, fazendo com que se enchesse de tremores e abalos. Alstium então, temeroso que a continuidade do que ele acreditava ser uma loucura do irmão, que acabaria por destruir o Avernion, enviou a Ratiaz dois mensageiros a pedir-lhe que parasse suas obras e desfizesse as luas, uma vez que elas dia após dia puxavam a terra para o vazio. O irmão não lhe deu ouvidos. Reuniu então seu conselho e perguntou o que haveriam de fazer. Ali entre seus conselheiros estava Albimiaz, que era sagaz e engenhoso e que falou nestes termos ao rei: "Senhor rei, nos quatro orbes se concentra a maior parte do poder do povo de vosso irmão... Juntos atraem a si o Avernion e o puxam para o vazio... Eis o que devemos fazer: Construamos um orbe, ainda maior e o lacemos no centro do vazio, no centro dele coloquemos o adormecido Superno e assim os orbes de Ratiaz separar-se-ão do Avernion e seguirão ao poder maior e assim salvarermos nosso mundo deixando-o estável de novo"
Tal parecer foi aceito e a grande obra executada Tão logo o orbe com o Superno fechado em seu interior foi erigido no centro do vazio, os orbes o seguiram e tornaram-se as luas que hoje vemos no céu. Mas aquilo irritou Ratiaz e seu povo, quanto mais que grande parte de seu poder se fora com os orbes. Irado contra seu irmão Ratiaz vestiu-se de aço, forjou um grande martelo para si, e espadas, e lanças, e machados para seu povo e marchou contra seu irmão.
O sangue verteu aos borbotões manchando a terra sagrada. No entanto o povo de Alstium mantivera todo o seu poder, e por fim dobrou e venceu os seguidores de Ratiaz... Vencido, trouxeram-no atado em cadeias a presença de Alstium. O soberano olhou com horror para o irmão, manchado ainda do sangue dos que abatera, mas não podia dar a ele o fim que merecia o culpado por tanta mortandade, assim determinou que aprisionado fosse no último círculo que sustentava o Avernion e lá fosse mantido a pão e a água, para sempre a refletir no que fizera. Depois mandou trazer os restante dos povo de Ratiaz. Olhou para todos eles e se apiedou deles, afinal fora ele que deixara há muito tempo que seguissem a seu irmão. E ele os perdoou. Condenando-os no entanto a desfazerem as grandes obras que haviam erigido no extremo oeste, sob a supervisão de Albimiaz.
Depois que se foram todos, sentou-se Alstium sozinho em seu trono e olhou todo o Avernion. E chorou ao ver toda a destruição que havia sido feita e toda a dor que seu povo experimentava agora. E naquele momento ele soube que nunca mais nasceria uma criança sequer no Avernion, porquanto macularam com sangue aquela terra. Depois olhou para os cinco orbes... Chamou Talizia, a mestra de jardins a sua presença e lhe disse: "Vês os orbes ali onde antes era o vazio? Quero que vás ao maior, aquele que nós criamos e plante nele jardins e fontes de água e o torne belo como um dia foi o Avernion... será nossa compensação, o orbe que deu origem a toda essa destruição será cuidado e tornado uma delícia para nossos olhos" A jardineira curvou-se até o chão e foi-se executar o seu trabalho.
A deusa ao tocar com seus pés o orbe, acho-o sem vida, tanto quanto os orbes de Ratiaz. Percorreu-o em toda a sua extensão e por fim teve uma ideia de como trazer vida àquela terra. Foi-se ao Avernion, cortou o topo de um de seus montes e o plantou, como quem planta uma muda, em meio ao orbe. Do monte, a vegetação estendeu-se por sobre a terra. Depois ela se foi às depressões da terra e as encheu de água, doce ou salgada, conforme melhor lhe pareceu, fez sulcos na terra e fez com que nele corressem rios e por fim deixou algumas áreas intactas como estavam antes de sua obra, para que assim vissem mais a grandeza de sua obra. Mas havia um problema: Quando ela estava no orbe, tudo nele vicejava e vivia, mas quando voltava ao Avernion, tudo perdia vigor e morria.
Foi então ao grande artífice do rei, Geron, e lhe falou de seu problema. Este fez então dois luzeiros, um maior e outro menor, colocou neles da chama de Avernion e os colocou ao redor do orbe a girar, o que deu ao orbe vida própria. Talizia então apresentou a Alstium sua obra que batizou de Alsterium, em homenagem ao rei. Este agradou-se do que viu e chamando a todos os seus súditos pediu para que todos pudessem de alguma forma embelezar seu jardim. E assim os deuses povoaram Alsterium com toda a sorte de peixes e animais e diariamente desciam ao belo jardim para se deliciarem com as sensações da nova terra, enquanto sentiam-se orgulhosos por poderem eles mesmo terem criado algo tão belo, esquecendo-se que a vida do Superno, adormecido no coração de Alsterium. pulsava ali por toda a parte.
O MINALISTA
terça-feira, 21 de outubro de 2014
segunda-feira, 14 de maio de 2012
A origem dos que são conhecidos como Deuses
Tudo o que há no mundo, tudo o que somos, não passa de sombras! Somos apenas sonhos do Superno. Cada vez que o único sonha de seus sonhos surgem mundos diversos, povos diversos e muitas outras coisas maravilhosas e inimagináveis. Eis a gênese dos Deuses.
Certa feita o Superno sonhou um povo perfeito: Terrível e belo, poderoso e sábio. Sua terra chamavam de Avernion, esta terra era a mais bela jamias sonhada pelo Supremo, e nem mesmo os Jardins de Ecraniavia poderiam comparar-se a ela. Este povo diferente de todos os demais com os quais sonhara o Onipotente, entendeu o que eram e desejaram prolongar sua existência. Mas como fazê-lo?
Unindo-se em conselho conheceram que não havia meios de existirem independentes do Superno eram seus sonhos e quando Ele acordasse dissipar-se-iam para sempre no Éter. MAs então, quando já a assembléia se retirava derrotada, o que de todos eles era mais sagaz pediu a palavra:
"Ora, notai vós, isto: que pode fazer o Superno enquanto dorme? Não somos nós que mantemos o domínio e todo o poder enquanto Ele dorme? E por que então não fazemos que assim, no sono, Ele permaneça para sempre? O sonhos só se desfazem quando acordamos... cuidemos pois que ele não acorde de nós!"
Assim pensando, urdiram o plano, que quebrou a harmonia das coisas, pois deu ao sonho a permanência e fez-nos então partícipes deste vale de lágrimas que é o mundo dos homens e dos deuses. Escolheram duas jovens e cada um lhas deu parte de seu poder. E elas se foram ao mais interior da consciência do Supremo e ali desde então permanecem, cantando, uma durante o dia e a outra a noite, e seu canto embala o sono do Superno e não o deixa acordar.
Este povo, estes sonhos do Superno, que o mantém adormecido, os homens o conhecem como Deuses, pois estes os criaram e também o mundo em que habitam. Mas antes de criarem o homem lutaram entre si os povos do Avernion e antes que aprendessem a criar vida, aprenderam a ministrar a morte.
Certa feita o Superno sonhou um povo perfeito: Terrível e belo, poderoso e sábio. Sua terra chamavam de Avernion, esta terra era a mais bela jamias sonhada pelo Supremo, e nem mesmo os Jardins de Ecraniavia poderiam comparar-se a ela. Este povo diferente de todos os demais com os quais sonhara o Onipotente, entendeu o que eram e desejaram prolongar sua existência. Mas como fazê-lo?
Unindo-se em conselho conheceram que não havia meios de existirem independentes do Superno eram seus sonhos e quando Ele acordasse dissipar-se-iam para sempre no Éter. MAs então, quando já a assembléia se retirava derrotada, o que de todos eles era mais sagaz pediu a palavra:
"Ora, notai vós, isto: que pode fazer o Superno enquanto dorme? Não somos nós que mantemos o domínio e todo o poder enquanto Ele dorme? E por que então não fazemos que assim, no sono, Ele permaneça para sempre? O sonhos só se desfazem quando acordamos... cuidemos pois que ele não acorde de nós!"
Assim pensando, urdiram o plano, que quebrou a harmonia das coisas, pois deu ao sonho a permanência e fez-nos então partícipes deste vale de lágrimas que é o mundo dos homens e dos deuses. Escolheram duas jovens e cada um lhas deu parte de seu poder. E elas se foram ao mais interior da consciência do Supremo e ali desde então permanecem, cantando, uma durante o dia e a outra a noite, e seu canto embala o sono do Superno e não o deixa acordar.
Este povo, estes sonhos do Superno, que o mantém adormecido, os homens o conhecem como Deuses, pois estes os criaram e também o mundo em que habitam. Mas antes de criarem o homem lutaram entre si os povos do Avernion e antes que aprendessem a criar vida, aprenderam a ministrar a morte.
segunda-feira, 26 de março de 2012
O Início
Escrevo essas palavras no V ano de Sua Majestade, o Imperador Sírius VII, que me pediu que escrevesse a história dos minalistas e dos acronianos. Creio ser conveniente falar assim das origens do universo e do surgimento de nosso mundo para que fique claro a todos que é ao Superno e não aos arrogantes deuses que devemos a vida e tudo o mais.
Antes que tudo existisse, só havia o nada. O que muitos tem esquecido é que, ao final das contas, o nada é tudo em potencial, em outras palavras, nele já havia todas as coisas que depois vieram a existir. O que impedia as coisas de existirem era a falta de uma consciência, de uma racionalidade que pudesse criar e ordenar.
Em algum momento ela se fez. Uma centelha divina que veio preencher e dar sentido a todas as coisas: uma inteligência superior que veio a ser a primeira coisa a existir e tomou consciência de todas as demais coisas que através dela foram criadas.
Essa inteligência, essa força criativa que faz parte de tudo o que existe, existiu e que virá a existir nós o chamamos de o Superno. Todas as coisas vieram dele e voltarão a ele.
Antes que houvesse tempo, pois o tempo é uma criação dos homens, o Superno sonhava com mundos e povos, e dos seus sonhops criava-se a realidade. Diversas realidades, diversos mundos que nunca chegaremos a conhecer pois ao acordar o Superno, como os sonhos que eram, também esses mundos desapareciam.
Nós estamos no último sonho do Superno, um dia ele despertará e tudo o que conhecemos como sendo o nosso mundo voltará a consciência do Superno.O minalista anseia por voltar a reunir-se com o Superno, voltando a doce inconsciência e esquecendo as penas, problemas e desgraças deste mundo.
Passemos pois a saber como foi criado os deuses, o mundo e tudo o que há nele.
Antes que tudo existisse, só havia o nada. O que muitos tem esquecido é que, ao final das contas, o nada é tudo em potencial, em outras palavras, nele já havia todas as coisas que depois vieram a existir. O que impedia as coisas de existirem era a falta de uma consciência, de uma racionalidade que pudesse criar e ordenar.
Em algum momento ela se fez. Uma centelha divina que veio preencher e dar sentido a todas as coisas: uma inteligência superior que veio a ser a primeira coisa a existir e tomou consciência de todas as demais coisas que através dela foram criadas.
Essa inteligência, essa força criativa que faz parte de tudo o que existe, existiu e que virá a existir nós o chamamos de o Superno. Todas as coisas vieram dele e voltarão a ele.
Antes que houvesse tempo, pois o tempo é uma criação dos homens, o Superno sonhava com mundos e povos, e dos seus sonhops criava-se a realidade. Diversas realidades, diversos mundos que nunca chegaremos a conhecer pois ao acordar o Superno, como os sonhos que eram, também esses mundos desapareciam.
Nós estamos no último sonho do Superno, um dia ele despertará e tudo o que conhecemos como sendo o nosso mundo voltará a consciência do Superno.O minalista anseia por voltar a reunir-se com o Superno, voltando a doce inconsciência e esquecendo as penas, problemas e desgraças deste mundo.
Passemos pois a saber como foi criado os deuses, o mundo e tudo o que há nele.
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